Relato do parto da Maísa

Categorias , , , , , , Postado por Maria Livia às 7/26/2012
Quinta-feira, 12 de julho. Vou tomar um lanchinho na minha madrinha. Minha mãe, minha prima e meus sobrinhos estão lá. Somos muito próximos e é sempre bom estarmos juntos. Qd chego, minha madrinha vai logo me dizendo que a Maisa deve chegar logo, pois minhas narinas estão abertas (Vcs sabiam dessa? Eu só sabia da barriga baixa!). Como minha madrinha e eu sempre falamos muito besteira, respondo na lata: "Vc quer ver se minha b@#$%&* tb está aberta?" Claro que ela não quis, mas afirmou que a bb não passaria do final de semana.
Sexta-feira, 13 de julho. 00h45 de uma madrugada fria de Sampa. Eu tranquilamente me levanto para a primeira ida da noite ao banheiro. Até aí, tudo normal. Na hora de me enxugar, vejo o papel sujo de um sangue clarinho, bem aguado. O que seria isso? O que eu faço? Vou para o hospital? Ligo para a médica? Não quero incomodá-la de madrugada por nada. Mas como eu vou saber que não é nada se não falar com ela? Pego uma apostila do curso do Pro Matre e lá está: se tiver um liquido esverdeado ou sangue é para ir com urgência para o hospital! Ai, meu Deus!
Resolvo mandar um torpedo pra GO. Com uma foto tirada do ph sujo de sangue para que ela não tenha dúvida da cor (isso é coisa que se mande por torpedo???). Ela não responde. Claro, deve estar dormindo e um torpedo não consegue acordar ninguém. Depois de quase surtar, finalmente acordo meu marido e explico o que está acontecendo. Ele bem calmamente e provavelmente muito sonado diz que é para eu me deitar e esperar, pois não havia o que ser feito. Hein?! Digo pra ele o que li na apostila e falo que tem o que ser feito, sim. Podíamos ir ao hospital. Decidimos, então, ligar primeiro para a médica.
Ela diz que provavelmente não é nada de mais, que devia ser do colo do útero, mas que para eu me tranquilizar, eu poderia ir ao hospital.
Foi o que fizemos. As malas da maternidade ficaram em casa, pois eu tinha certeza que ainda não havia chegado a hora. Eu sempre achei que ela nasceria com umas 39 semanas, por volta do dia 20/07. Então, eu iria à maternidade, iam constatar que não era nada e voltaria a dormir o restinho da noite para ir ao job pelo último dia antes de sair de licença.
Na sala de espera, via as que mulheres que passavam em consulta, saiam de maca ou de cadeira de rodas, provavelmente em trabalho de parto. Ainda brinquei com meu marido: "Estou ficando tensa, daqui uma semana sou eu!"
Enfim chegou minha vez, já eram umas 2h15 da madruga. O médico plantonista fez o bendito exame de toque e constatou: 3 cm de dilatação. Como assim? E logo em seguida me perguntou: "vc está tendo contrações. Não está percebendo?". Eu não!!! Elas não doíam, achei que fossem as contrações de treinamento braxton hicks. Ele colocou dois eletrodos para me monitorar. Um marcava as contrações e o outro, o coração da minha filha. Fiquei assim por uns 10 minutos para ver a freqüência das contrações. Bom, o médico havia me explicado que, dependendo da intensidade com que elas ocorressem, o monitor marcaria de 0 a 99. As minhas estavam variando muito, mas algumas chegavam a 60. E eu sem dor nenhuma, apenas aquele desconforto normal da contração de treinamento.
Pelo veredito dele, eu já ficaria internada, mas por protocolo, ele telefonou para minha GO que ratificou sua opinião. Como? Trabalho de parto? Eu? Hj? Minha filha vai nascer? E meu ultimo dia de trabalho amanhã? Nem tranquei minhas gavetas, kcete!!! (Só um parentesis: na quinta-feira, eu não havia trabalhado. Então trabalhei na quarta e trabalharia na sexta, porém, na quarta-feira, no trabalho, me veio uma intuição: "ARRUME TUDO HJ, POIS VC NÃO VAI VIR NA SEXTA". Mas eu não dei a menor bola, ainda pensei: "Ah, que bobagem, claro que venho na sexta!")
E lá estava tb eu, saindo de cadeira de rodas pelos corredores do hospital...
Me colocaram no quarto de parto normal e continuaram me monitorando. Eu estava assutada pela rapidez com que tudo ocorria. Estava ansiosa, pois enfim havia chegado a hora. Mas como seria? Será que o trabalho de parto vai ser longo? Tem gente que demora até 15-18 horas qd é o primeiro filho! Será que minha ansiedade aguenta tanto?
Meu marido foi então para casa buscar nossas malas. Claro que eu não queria ficar um minuto sozinha, mas qto mais cedo ele fosse, mas rápido ele estaria de volta.
Liguei para minha mãe. Meu marido, como ele mesmo disse, passaria para pegar a minha mala, a mala da bebê e, em seguida, a "mala" da sogra!
Conversei com a enfermeira sobre eu não estar sentindo dor nas contrações (claro que era ótimo, mas era deveras estranho!). Ela me disse que qd a bolsa rompesse, eu sentiria dor. Foi só acabar de falar e senti um liquido quente escorrendo pelas minhas pernas. Ela viu e fez outro exame de toque (p..m.., como dói!). A dilatação estava quase na mesma e o liquido não havia sido muito. Provavelmente, havia estourado mais em cima ou apenas uma das duas membranas. Logo senti mais liquido escorrendo e aí... aí comecei as sentir as contrações. Não foram muitas nem muito intensas, mas deu pra perceber do que se trata. Sabe aquela cólica menstrual qd o útero é pequenininho e a dor parece gigantesca? Imagina com um útero aumentado em 1000 vezes o seu volume???
Senti vontade de ir ao banheiro. Me alertaram para não fazer força, que podia ser a bebê querendo sair e eu estar confundindo. Fiquei tão tensa com esta possibilidade que nem consegui sentar no vaso e relaxar...
Minha GO, por telefone, pediu para me darem ocitocina para começar a regular as contrações, que pela manhã ela iria me ver. Aí que a coisa desandou... a Maísa não reagiu bem... os batimentos cardíacos caíram pela metade (claro que na hora, me falaram apenas que os batimentos haviam caído, só depois fiquei sabendo que tinha sido pela metade).
Ligaram novamente para minha médica e me informaram que assim que ela chegasse, faríamos a cesárea. A bb não aguentaria o estresse de um parto normal. Não sei exatamente o que senti, mas foi um misto de um pouco de frustração por não ser parto normal, com um pouco de alívio por  não ter que sentir as dores de um parto normal, e muuuuita preocupação pela bebê. Se é para o bem dela,  faça logo a cesárea e pronto. Mas kd meu marido????? Tudo aquilo sem ele estava ficando dificil!!!
Ligo no seu celular e ele me diz que vai demorar mais uns 40 minutos. A enfermeira me diz que a médica já estava a caminho. Ligo novamente para ele e peço para se apressar, pois sei que a médica mora perto.
Logo em seguida, a GO chega. Foi muito bom vê-la, mas...e meu marido, p#$&*? Estão me levando para a sala de cirurgia e ele não chega!! Não quero este momento sem ele, mas não dá pra parar!!! Ligo mais uma vez (sim, eu estava peladíssima, mas com o celular) e ele já está no estacionamento, mas ainda precisava passar em outro andar pra colocar aquela roupitcha azul lindia.
Estamos esperando o anestesista de plantão chegar até a sala de cirurgia. Minha GO entra na sala e diz que meu marido está do lado de fora, que só poderá entrar depois que eu tomar a anestesia. Ufa, que alívio!
Qd o anestesista chegou, conversei com ele sobre as minhas plaquetas baixas e sobre o exame do mielograma. Um limite bom para eles é de 70 mil plaquetas. As minhas estavam em 89 mil...por pouco! O risco é não coagular o sangue lá dentro, até onde chega a agulha da anestesia. Ele ainda brincou comigo sobre o mielograma: "Vc tomou aquela anestesia que não adianta nada?" Aí, meninas, que eu vi que o exame era dolorido mesmo, que eu tinha razão de ter surtado.
A raque foi tranquila. Minha GO, uma fofa, me abraçou durante a aplicação. Foi tão bom, me senti amparada. As pernas começaram a formigar e meu marido, enfim, pode entrar.
Colocaram aquele pano azul para não vermos nada. "Tudo azul aí?" brincou o anestesista. Sim, estava, mas ficaria ainda mais, assim que eu tivesse minha filha nos meus braços.
Começaram a cirurgia. Foi tudo muito rápido, não sei direito qto tempo levou. A certa altura, a GO me disse que estávamos quase lá. Comecei a chorar...logo ouvi o chorinho da Maísa...aí desabei a chorar mesmo. Não sei explicar que emoção tomou conta de mim, mas ela volta e eu choro toda vez que me lembro daquele momento. Não passei e não vou passar por emoção igual. Foi rápida, mas foi fulminante.
Trouxeram aquele serzinho lindo, ainda sujo de sangue para a gente ver. E ela tb nos viu, estava com os olhos bem abertos, queria entender o que estava acontecendo. Dei um beijinho e as boas-vindas. Olhei para o lado e vi, através do vidro, que lá estavam minha mãe e meus padrinhos acompanhando aquele momento.    Faltava meu pai. Mas acredito que espiritualmente ele estava lá com a gente. 
Levaram-na para pesar e limpar e nos trouxeram de volta. Que gostoso ver aquela carinha, sentir seu calor...

Mas foi rápido, logo me levaram para a sala de recuperação na qual tive que ficar umas 4 longas horas. Me aconselharam dormir. Como? Estava muito cansada, mas muito agitada. A emoção era muito grande, não conseguia desligar.
A maternidade estava mega cheia, não havia quarto para mim naquele momento, então me passaram para um quarto, tipo uma enfermaria em que pude receber minha família e minha filha. Puseram a Maísa no meu peito para começarmos a amamentação. A enfermeira apertou e não é que saiu um colostrinho? Não havia saído nada durante a gestação e eu estava começando a temer que a cirurgia de redução tivesse feito um gde estrago. Mas, não. Havia umas gotas, então havia esperança! Bom, mas a amamentação é uma outra saga, que conto uma outra hora, pois este post já ficou enorme.


15 comentários:

Adorart's on 7/26/2012 disse... [Responder Comentário]

que lindoooo
to emocionada!!!
como é bom ler essas experiencias espero um dia chegar a minha hora!!!
bjsss

Simone Freitas on 7/26/2012 disse... [Responder Comentário]

Maria, que emocionante!
A Maisa é linda, gostosa mesmo!
Fiquei feliz que tudo ocorreu bem, me emocionei... tive que conter as lágrimas com seu depoimento sobre ouvir o primeiro chorinho do bebê, imaginei a minha vez, me imaginei dentro da sala com vcs... é muita emoção!
Que Deus continue iluminando a nova família de vcs!
Bjos

Jana on 7/26/2012 disse... [Responder Comentário]

Ainda não sou mãe, mas, tenho um grande sonho de ser... ano que vem pretendo começar a deixar de ser só treino, rs... meus olhos marejaram com seu relato, parabéns pela linda baby.

Dali on 7/26/2012 disse... [Responder Comentário]

Maria Lívia, amiga querida, que relato emocionante!
Eu ri, me emocionei, fiquei tensa... Menina, que emoção gigante trazer a pequena pérola ao mundo, quantas emoções nesse dia, quantas lembranças!
Que bom que vc escreveu tudo, com o tempo alguns detalhes se perdem (quer dizer, será que disso também? Provavelmente nao...) e obrigdaa por compartilhar conosco, foi muito emocionante e motivador!

Amei seu relato do parto da linda Maísa!
Bjs!!!

Mamãe Roberta Soares on 7/26/2012 disse... [Responder Comentário]

Amei seu relato, ele é tanto engraçado como comovente.

Dinha on 7/27/2012 disse... [Responder Comentário]

Livia,

Muito emocionante o seu relato, a sua história foi muito bela.
E ver o sonho de uma pessoa se realizando, escrito de maneira tão perfeita por DEUS!
Tb chorei....imagino vc!
Bjs

Nucy on 7/27/2012 disse... [Responder Comentário]

Lindo, lindo relato... As lágrimas escorreram soltas aqui, hehe.
Graças a Deus que ocorreu tudo maravilhosamente, e é assim mesmo, quando Deus determina é no Seu tempo mais que certo!!! =D
Xerim,
Nucy & baby ♥

Anônimo disse... [Responder Comentário]

Querida Maria Livia, depois de toda luta, tinha que fechar com grandes emoções né! Muito feliz e emocionada! Estava ansiosa por este post! Beijos em toda família e na mais linda princesa que enfeita sua vida! A minha chega em setembro. Beijos Gi e da Maria Júlia.

Ligia - Mamãe da Alice on 7/27/2012 disse... [Responder Comentário]

Livia, flor, muitissimo obrigada por vir aqui e contar com tantos detalhes sobre o seu parto! Sério, eu NUNCA, nem ouvi, nada tão detalhado. Sem contar que quando vc falou da emoção, meus olhos encheram d'agua!!!! Q felicidade, querida!!!!!!! Mais uma vez, parabéns, e que Deus abençoe muito vc e a sua pérola!
Bjoquinhas de nós duas em vcs!
Ps: Já estou no blog novo....qdo a Maísa der um tempinho passa lá! To atualizando pelo blog antigo!

Cantinho da Marina on 7/27/2012 disse... [Responder Comentário]

Que lindo amiga!
É uma emoção que não se explica, se sente!
Eu também choro até hoje só de lembrar do chorinho dela quando a tiraram de dentro de mim!
E que bom que deu tudinho certo... essas equipes estão mega preparadas pras emergências, né?! Graças a Deus!
Beijos em vc e na Maísa

Joice on 7/28/2012 disse... [Responder Comentário]

Que emoção! Que relato lindo!!!!!!!!

Beijos em vcs!!!!

rosana on 7/28/2012 disse... [Responder Comentário]

ah que lindo relato amiga...sua bb é linda..que Deus abençõe vcs grandemente..bjinhos se cuida ta bom

Lilica on 7/30/2012 disse... [Responder Comentário]

Menina, que relato lindo! Cheio de emoções e aflições, como um perfeito filme com final feliz!!

Não tem como não chorar...

E que linda a Maísa. Que pérola, que carinha mais gostosa!!

Espero que estejam bem!!

Volte logo com mais relatos.

Beijos da Mãe da Mel.

Edi - Pronta Para Ser Mãe on 7/30/2012 disse... [Responder Comentário]

Oi Má, adorei o relato e pra nós que ainda estamos com nossos pequenos aqui na barriguinha é bom saber como acontece, ou seja, nem sempre eles esperam completar as 40 semanas né.

Parabéns pela filha linda.

Bjusss

Anônimo disse... [Responder Comentário]

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